segunda-feira, 22 de setembro de 2008

In medio virtus.

Descobri que sou aristotélica e budista desde pequenininha. A frase do filósofo, "a virtude está no meio", e a orientação budista de seguir o "caminho do meio" sempre nortearam minhas atitudes e pensamentos, desde que me entendo por gente. A idéia é evitar os extremos, como os fanatismos de qualquer natureza. Eu nunca poderia dizer "eu morro pelo Fluminense". Tá, futebol não foi um bom exemplo, mas isso vale para qualquer coisa.

Uma vez eu estava lamentando o quanto era indecisa e uma amiga que me conhece melhor que eu mesma disse: "você não é indecisa, você já se decidiu: está em cima do muro e daí ninguém te tira!". Não sou capaz de decidir sobre as coisas, mesmo as mais simples, como a cor que quero pintar o meu quarto ou em qual mesa do restaurante sentar. Às vezes ainda sinto esta agonia, aí lembro das palavras dela, e isso me conforta.

Mas nem sempre há flores no "caminho do meio", às vezes há é bastante confusão. Tenho no currículo alguns episódios de ser amiga de duas inimigas entre si. Incrível isso acontecer de novo ainda no ano passado, 2007, quando tinha quase 35 anos nas costas! Infelizmente o confronto não pôde mais ser evitado, e tive que escolher um lado. Mas lamento terrivelmente a perda inútil de uma amizade.

Não sei se Aristóteles ou Buda aprovariam isso, afinal, acabo sendo extremista ao ficar "extremamente no meio". Gente, eu tenho até estatura mediana, e um cabelo que está no meio termo em matéria de cor, quantidade, comprimento e "alisamento". Compro roupas tamanho M, e gosto de tudo assim, meio isso, meio aquilo.

Já ouvi dizer que, para quem não sabe para onde quer ir, qualquer vento é desfavorável. Procuro ser otimista e pensar que, para quem quer ficar no meio, nem precisa de vento...